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sexta-feira, 2 de dezembro de 2011

Produção industrial tem terceira queda consecutiva no Brasil

Em outubro de 2011, a produção industrial recuou 0,6% em relação a setembro, na série livre de influências sazonais, terceiro resultado negativo nesse tipo de comparação, divulgou o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta sexta-feira. No acumulado destes últimos três meses, a perda alcança 2,6%. Segundo a pesquisa, este menor ritmo produtivo atingiu 20 das 27 atividades investigadas. Na comparação com outubro de 2010, a atividade fabril apontou redução de 2,2%, acelerando o ritmo de queda ante ao mês anterior (-1,6%). Economistas esperavam queda de 0,2% e de 1,45%, respectivamente, segundo a mediana das projeções.
O índice acumulado nos últimos 12 meses ainda acumula alta, 1,3% até outubro. O dado de setembro ante agosto foi revisado e mostra uma queda menor, de 1,9%, ante 2%. Os resultados de outubro reduziram ainda mais a alta da produção industrial acumulada em 12 meses, que passou de 1,6% em setembro para 1,3%. A evolução do índice de média móvel trimestral reforça esse quadro de menor dinamismo, ao cair 0,9% nos últimos três meses até outubro. Em setembro e agosto, as quedas haviam sido de 0,6% e 0,4%, respectivamente. A indústria é um dos setores que mais têm sido golpeados pela recente desaceleração da economia brasileira, provocada sobretudo pelo agravamento da crise de dívida na zona do euro. A expectativa é de que os números do Produto Interno Bruto (PIB) a serem divulgados pelo IBGE em 6 de dezembro mostrem estagnação ou uma leve queda no terceiro trimestre, algo já sugerido pelo Índice de Atividade Econômica (IBC-Br) do Banco Central (BC), que funciona como um sinalizador do comportamento do PIB.
Numa tentativa de proteger a atividade doméstica das intempéries externas, o governo anunciou na véspera um pacote de medidas para estimular o consumo, poucas horas após o BC ter implementado o terceiro corte seguido da taxa básica de juros, o que também tende a alimentar o consumo.

quinta-feira, 1 de dezembro de 2011

PLANTÃO: Sem surpresas, Copom repete movimento de outubro e reduz Selic para 11% ao ano

30 de novembro de 2011 - Como era amplamente esperado pelo mercado, o Comitê de Política Monetária (Copom), do Banco Central, decidiu reduzir a taxa básica de juros para 11% ao ano, um recuo de 0,50 ponto percentual, repetindo o movimento da reunião de outubro. Esta foi a oitava e última reunião do Copom este ano e também marca a terceira queda consecutivo da Selic.

Veja nota na íntegra: "Dando seguimento ao processo de ajuste das condições monetárias, o Copom decidiu, por unanimidade, reduzir a taxa Selic para 11,00% a.a., sem viés.

O Copom entende que, ao tempestivamente mitigar os efeitos vindos de um ambiente global mais restritivo, um ajuste moderado no nível da taxa básica é consistente com o cenário de convergência da inflação para a meta em 2012".

Em janeiro, no primeiro encontro de 2011 e também do governo Dilma Rousseff, o colegiado decidiu interromper uma sequência de três manutenções e anunciou uma alta de de 0,50 p.p. nos juros, para 11,25% ao ano. Já a segunda reunião promoveu um ajuste de alta de 0,50 p.p. No terceiro encontro, o aumento foi de 0,25 p.p, mesmo percentual apurado na quarta e na quinta reuniões. No sexto encontro, o Copom surpreendeu o mercado, cortando em 0,50 p.p a taxa básica de juros. No sétimo encontro, o Copom manteve o movimento de queda, cortando em 0,50 p.p a taxa selic.

A taxa Selic é o instrumento mais usado pelo BC para controlar a demanda por bens e serviços e, por consequência, a inflação. O Copom reúne-se a cada 45 dias para definir a taxa. Os sinais analisados na hora de definir a Selic são os dados sobre a expansão da economia, a situação externa e os índices de inflação.

Quando a economia está aquecida, os consumidores têm dinheiro para gastar. Assim, a procura por bens e serviços aumenta e há dificuldade da indústria, do comércio e do setor de serviços de suprir os consumidores na mesma proporção do aumento da demanda. Com isso, a tendência é de que os preços aumentem. O Copom, então, eleva os juros para estimular a poupança e conter a expansão excessiva da demanda.

Todo ano, o BC tem que perseguir uma meta de inflação, estabelecida pelo Conselho Monetário Nacional, formado pelo presidente do Banco Central e pelos ministros da Fazenda e do Planejamento, Orçamento e Gestão. A meta tem como base o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA).

Para 2011, a meta de inflação é de 4,5%, com limite inferior de 2,5% e superior de 6,5% (dois pontos percentuais para cima ou para baixo). O BC tem que atuar para que a inflação anual fique em torno do centro da meta. A expectativa dos economistas ouvidos pelo BC no último Boletim Focus é de que o IPCA encerre este ano em 6,49%.

(Redação - www.ultimoinstante.com.br)

segunda-feira, 13 de junho de 2011

Banco Central eleva taxa Selic para 12,25% ao ano

O aumento da taxa básica de juros em 0,25 ponto porcentual já era esperado pelo mercado e está em linha com pronunciamentos do BC



Alexandre Tombini, presidente do Banco Central Decisão de elevar Selic em 0,25 p.p. está em linha com argumentação da última ata do Copom (Ueslei Marcelino/Reuters)

O Comitê de Política Monetária do Banco Central (Copom) elevou nesta quarta-feira em 0,25 ponto porcentual a taxa básica de juros da economia (Selic) para 12,25% ao ano. Foi a quarta alta seguida e a decisão, unânime. Para os economistas ouvidos pelo site de VEJA, a opção não surpreende e está de acordo com a ata da reunião anterior, divulgada em 28 de abril

Naquela ocasião, o BC afirmou que subiria os juros por tempo “suficientemente prolongado” para conter a escalada da inflação. A autoridade monetária destacou a importância das chamadas medidas macroprudenciais, como a elevação do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) nas operações de crédito para pessoa física, como um instrumento complementar para desacelerar o consumo e diminuir as pressões de alta dos preços. Mesmo assim, ressaltou que a missão de trazer a inflação para a meta – que é de 4,5% neste ano, com tolerância de dois pontos porcentuais para cima e para baixo – está mais complexa do que parecia no início do ano. Por isso, o BC aponta a necessidade de um longo ajuste da Selic. Esta disposição foi reforçada em nota enviada à impresa sobre a decisão de juros desta quarta-feira. "Considerando o balanço de riscos para a inflação, o ritmo ainda incerto de moderação da atividade doméstica, bem como a complexidade que envolve o ambiente internacional, o Comitê entende que a implementação de ajustes das condições monetárias por um período suficientemente prolongado continua sendo a estratégia mais adequada para garantir a convergência da inflação para a meta em 2012."

Repercussão – Para a economista-chefe do Banco Fibra, Maristella Ansanelli, as sinalizações do BC têm sido claras. “O ritmo de aumento dos juros passou de 0,5 p.p. para 0,25 p.p na última reunião do Copom e, considerando o que o Banco Central argumenta em suas atas, ainda veremos outras altas similares”, disse Maristella. A expectativa dos analistas, conforme a pesquisa semanal Focus realizada pelo próprio BC, é que a Selic termine 2011 em 12,50%. Já os especialistas que estão no chamado ‘top 5’ – grupo dos que mais acertam os indicadores econômicos – trabalham com uma projeção de 12,75% para dezembro. Em suma, o mercado aguarda, além da elevação desta quarta-feira, entre um e dois novos ajustes da mesma magnitude nos próximos meses.

A despeito da transparência da autoridade monetária em sua intenção de aumentar de forma progressiva os juros, boa parte do mercado aponta a existência de riscos nesta estragéia. “Para o governo, as medidas prudenciais têm se mostrado positivas. No entanto, minha visão é que são limitadas. Somente se aliadas a esforços mais amplos, como no setor fiscal, elas poderão conter a demanda”, completou.

“O cenário traçado pelo Banco Central, por enquanto, está se confirmando, mas exige cuidado, visto que a inflação se mantém acima da meta”, afirmou Cristiano Souza, economista do Santander. Para o analista, existem diversos sinais de que a demanda interna continua muito forte, o que exige acompanhamento permanente do BC sobre a evolução dos preços.

Ambos concordam ainda que o cenário internacional preocupa. Os preços das commodities, por exemplo, seguem em patamares bastante elevados, e pressionam a inflação no mundo inteiro.

Inflação – No país, por ora, a alta dos preços desacelera. O Índice de Preço ao Consumidor Amplo (IPCA), divulgado nesta terça-feira pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), mostrou arrefecimento e chegou a 0,47% em maio, 0,30 p.p. inferior ao dado de abril. No entanto, no acumulado dos 12 meses encerrados no mês passado, o índice da inflação oficial permanece acima do topo da banda estipulada pelo BC, que é 6,5%.

A menor inflação em maio decorreu, em grande parte, da entrada da safra de cana-de-açúcar que pressionou para baixo os custos dos combustíveis. Assim, o aumento da categoria de transportes passou de 1,57% em abril para 0,24% no mês passado. O movimento, segundo economistas, ocorre todo ano. “A desaceleração da inflação neste período do ano é normal, pois há interferência de efeitos sazonais no cálculo. O núcleo da inflação, no entanto, é elevado e preocupante. O setor de serviços está em 8,5%, muito acima do acumulado de 12 meses do IPCA. Este dado evidencia que ainda há um forte descompasso entre oferta e demanda”, explica Souza.