quarta-feira, 8 de maio de 2013

http://www.pmvc.ba.gov.br/v2/noticias/ariano-suassuna-e-o-conferencista-de-abertura-do-festival-da-juventude-ano-ii/


Defensor incansável da cultura popular e das raízes brasileiras, o escritor tratará de cultura e juventude

A divulgação em torno da conferência de abertura do Festival da Juventude – Ano II, com data marcada para o dia 10 de maio, às 15h, no Centro de Convenções Divaldo Franco (CCDF), provocou, desde cedo, certa movimentação e curiosidade nos diversos segmentos jovens sintonizados com o evento. Detalhe importante: o conferencista é um respeitável senhor de 84 anos. Outro detalhe, mais importante ainda e decisivo: esse respeitável senhor é Ariano Suassuna.
A notícia de que o escritor estaria em Vitória da Conquista, por si só, justifica o interesse do público jovem em torno da figura de Suassuna. Mesmo os que o conhecem somente por seu trabalho mais difundido, “Auto da Compadecida”, publicado originalmente em 1955, reconhecem a perenidade de sua obra. E admitem que Suassuna tem muito a dizer ao público jovem. Não por acaso, o tema de sua conferência abordará dois itens básicos: cultura e juventude.
Dessa forma, o Governo Municipal mantém, com a segunda edição do festival, o mesmo nível da primeira, cuja conferência de abertura teve a presença de outro respeitável senhor: o teólogo Leonardo Boff. O público, majoritariamente composto por jovens, lotou o espaço do CCDF para ouvir as palavras de Boff a respeito de temas tão atuais quanto os que, agora, estarão presentes no encontro com Suassuna.
Homem da Cultura – Embora tenha passado a maior parte da vida em Pernambuco, Ariano Suassuna é paraibano de João Pessoa, onde nasceu em 16 de junho de 1927. Membro da Academia Brasileira de Letras desde 1990, onde ocupa a cadeira de número 32, Suassuna tem obras traduzidas para línguas como inglês, alemão, francês, espanhol, polonês e holandês. É reconhecido como dramaturgo, romancista, poeta, ensaísta e, sobretudo, um defensor incansável da cultura popular e das raízes brasileiras – especialmente a nordestina.
A primeira peça, escrita em 1947, foi “Uma Mulher Vestida de Sol”. A partir daí, vieram “O Desertor de Princesa” (1948, ainda inédita); “Auto de João da Cruz” (1949), “O Arco Desabado” (1952), “O Santo e a Porca” (1957), “O Casamento Suspeitoso” (1957), “A Pena e a Lei” (1955), “Farsa da Boa Preguiça” (1960), “A Caseira e a Catarina” (1962), “Romance d’A Pedra do Reino e o príncipe do sangue do vai-e-volta” (1971).
Suassuna ocupou cargos federais e estaduais na área da Cultura, nos anos 60 e 70. É doutor em História pela Universidade Federal de Pernambuco, onde atuou como professor por 32 anos. Ao completar 80 anos, em 2007, foi homenageado em todo o Brasil.

Alimentos e remédios pesam e IPCA sobe 0,55% em abril


Os alimentos continuaram a pressionar o IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo) em abril, ao contrário das expectativas, e junto com os serviços e remédios elevaram a inflação do mês para 0,55%.
O resultado veio bem acima do projetado por analistas (0,47%) e da inflação de março, quando o índice subiu 0,47%.
Os empregados domésticos, que integram o grupo de não alimentícios junto com os remédios, também não deram trégua no mês passado, ficando em segundo lugar como maior alta individual, de 1,25%.
As refeições fora de casa cederam levemente em relação ao mês anterior, subindo 0,69% ante taxa de 0,72% em março.
Segundo dados divulgados nesta quarta-feira (8) pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), a inflação acumulada pelo IPCA no ano já atinge 2,50%. Nos últimos 12 meses, o índice subiu 6,49%, apenas 0,01 ponto percentual abaixo do teto da meta do governo.


A Prefeitura de Salvador (BA) diz que uma obra de R$ 1 bilhão da Petrobras perto da Ilha dos Frades é irregular e potencialmente poluidora. O município quer derrubar liminar que garantiu a continuidade das obras e parar os serviços.

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 Petrobras nega risco de poluição e afirma ter licença ambiental do Estado para a obra. O Estado confirma que existe a licença.A obra é o Terminal de Regaseificação de Gás Natural Liquefeito da Bahia (TRBA). Em nota, a Petrobras afirma que o terminal é "essencial" para "garantir o suprimento de gás natural" no país e na própria Bahia.
Mas a prefeitura diz que a questão é municipal. De acordo com o secretário municipal de Urbanismo e Transporte, José Carlos Aleluia, a área pertence ao município e, apesar de o terminal ter sido embargado em outubro do ano passado, continua sendo construído por causa de uma liminar (decisão provisória da Justiça).

"A obra está sendo tocada à revelia da Prefeitura de Salvador. A Petrobras não quer diálogo e não apresentou um estudo de impactos ambiental e social. Há riscos de contaminação da água, do ar e de acidentes", disse Aleluia em entrevista ao UOL.
A Prefeitura de Salvador aguarda o resultado de recurso apresentado à Justiça no último dia 29 de abril contra a liminar.

Prefeitura diz que não consegue dialogar com Petrobras

Aleluia afirma que desde o início do ano a nova gestão da Prefeitura tem tentado "dialogar" com a empresa, sem sucesso.
"A Petrobras não tem autorização do Iphan e nem da Prefeitura. Os dois embargaram a obra e ela continua se negando a conversar. A Petrobras desrespeita a autoridade municipal. Tem mantido reuniões a portas fechadas com os pescadores", afirma.

A assessoria do Iphan (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional) na Bahia confirmou que o embargo foi feito, mas que o superintendente do órgão federal na Bahia, Carlos Amorim, "não quer mais se pronunciar sobre o caso".
A liminar que garantiu a continuidade da obra foi concedida pelo juiz Mario Albiani Junior, da 8ª Vara de Fazenda Pública (Salvador). A justificativa é que a obra é importante e foi licenciada.

"O empreendimento realizado encontra-se devidamente licenciado pelos órgãos ambientais estaduais e pelos órgãos federais competentes, de forma que, levando-se em consideração a vultuosidade do empreendimento e os interesses envolvidos na sua realização, não apenas para o Estado da Bahia, mas também para a própria nação, já que se trata de obra destinada a ampliar a capacidade de produção de Gás Natural, a manutenção da interdição determinada pela Sucom pode causar lesão ao próprio interesse público", argumentou o juiz.

UESB: aluna diz que foi obrigada a pôr testículos de boi na boca em trote


Mário Bittencourt
A Polícia Civil da Bahia investigará a partir desta terça-feira (7) denúncia feita ao Ministério Público por uma estudante de Agronomia de 22 anos que diz ter sido obrigada a pôr na boca testículos e pênis de boi durante trote na Universidade Estadual do Sudoeste (Uesb), campus de Vitória da Conquista. O caso ocorreu na sexta-feira (4) passada. De acordo com depoimento da estudante ao Ministério Público, ela estava na segunda semana de aula do 1º semestre quando foi pressionada a participar do trote pelos colegas. Ainda segundo o relato, os veteranos disseram que se ela não participasse, seria pior. A aluna aceitou, mas teria dito que era “alérgica a tudo”.  Durante a brincadeira, a estudante que prefere não ter sua identidade revelada e outros colegas calouros foram colocados para andar de “elefantinho” (de mãos dadas uns com os outros e com as mãos passando por debaixo das pernas) e depois tiveram de pôr na boca testículos e pênis de boi. Aplicavam o trote alunos do 3º e do 4º semestre de Agronomia, que teriam dito que aquele órgão “nem era o de verdade”. A estudante, no entanto, desconfia que o membro estivesse coberto com sêmen humano. Para finalizar a “brincadeira”, a garota conta que os veteranos prepararam um líquido que seria a mistura de “mata bicheira”, produto usado em bovinos, e urina de animal, obrigando os calouros a fazer bochecho com o produto. Logo depois, a estudante começou a ter reações alérgicas e chegou a desmaiar, tendo sido levada para a enfermaria da universidade, onde teria recebido apenas café e biscoito, que ela nem conseguiu engolir porque teria começado a sair sangue da língua. Mesmo nessas condições, ela saiu da universidade e foi para Brumado.
A estudante está sendo acompanhada pela Comissão de Direitos da Mulher da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB). Para a advogada Michelly Leão, pode ter ocorrido no caso “lesão corporal, estupro por ato diverso de conjunção carnal e tentativa de homicídio doloso, por dolo eventual, porque sabiam que ela tinha alergia e a colocaram para bochechar com mata bicheira”. Ainda segundo a advogada, a Uesb pode responder por “omissão de socorro, pois eles não souberam lidar com a situação”. Procurada, a assessoria de comunicação da universidade informou que não poderia se pronunciar porque o reitor está em viagem.  A universidade, porém, reconheceu que o trote ocorreu e que o caso está sendo analisado internamente. A enfermeira Maria da Paixão, que atendeu a estudante, e o presidente do Centro Acadêmico de Agronomia, Ednaldo Dantas, do 7º semestre do curso, disseram que não dariam declarações. A delegada responsável pelo caso, Tânia Silveira Santana Santos, disse que aguarda apenas a chegada do ofício do Ministério Público para abrir as investigações. O documento não foi enviado na segunda por causa da paralisação de 24h dos policiais civis da Bahia. A promotora Carla Medeiros, que ouviu o depoimento da estudante, qualificou o trote como “muito violento, podendo configurar lesão corporal”. Estudantes do curso também não quiseram falar sobre o assunto. Depois do caso, o clima entre eles é de muita apreensão. Desde setembro de 2008 os trotes são proibidos na Uesb. Seguranças da universidade disseram, porém, que a orientação é para que não se envolvam nas “brincadeiras” dos alunos.

Festival da Juventude – Ano II


Vitória da Conquista será palco, nos próximos dias 10, 11 e 12, da segunda edição do Festival da Juventude. O evento é realizado pela Prefeitura Municipal e conta com o apoio da Uesb, da Faculdade Independente do Nordeste (Fainor) e do Centro de Cultura Camillo de Jesus Lima. A programação é gratuita e inclui palestras, debates, encontros de movimentos sociais, apresentações culturais, atividade esportiva,  shows e o concurso de artistas e bandas locais Miguel Cortês.

Com o tema “Fazer parte em toda parte”, o Festival tem como objetivo propiciar à juventude espaços para o compartilhamento de ideias e experiências. Os momentos propõem a reflexão coletiva de questões que envolvem diretamente esse público como educação, cultura, lazer e políticas públicas sociais. Confira a programação completa no site do evento e não fique de fora do Festival da Juventude!

por Mariana Lacerda

Assessoria de Comunicação

Câmbio e infraestrutura emperram competitividade do Brasil

Em evento de CartaCapital, empresários e integrantes do governo federal discutiram barreiras à indústria do País


Ainda em meio às incertezas da crise econômica mundial, empresários e integrantes do governo federal elegeram na terça-feira 7 o real valorizado e os problemas de infraestrutura as maiores barreiras para a competitividade produtiva do Brasil no mercado internacional. Os debates sobre o tema ocorreram durante Fórum de Economia organizado por CartaCapital, em São Paulo.
O câmbio foi apontado como um dos principais responsáveis pela queda nas exportações nos últimos meses e pelos problemas de investimento na indústria nacional. “O Brasil tem um câmbio flutuante que funciona, mas isso não quer dizer que o governo não possa intervir”, afirmou Fernando Pimentel, ministro do Desenvolvimento. “Uma câmbio flutuante pode ter a ajuda de uma bóia, pois nos países desenvolvidos, como os EUA, eles têm usado bigornas para afundar o valor de suas moedas.”
Segundo o ex-ministro da Fazenda Luiz Carlos Bresser-Pereira, esse quadro fragiliza ainda mais a indústria nacional por provocar uma inundação de produtos importados no mercado interno do País. Uma saída, argumenta, seria aumentar a produtividade de setores com baixo valor agregado e manter o câmbio entre 2,80 e 2,90 reais por dólar, mesmo que isso implique em alta da inflação. “Vamos ter que desistir por algum tempo da meta da inflação. E os salários também vão cair um pouco, mas depois crescerão muito mais e teríamos uma retomada da industrialização.”
O governo, no entanto, não está disposto a permitir uma redução do custo de produção por meio da perda de poder de compra dos trabalhadores. Tenta, então, reduzir os custos da produção com a exoneração da folha de pagamento, cortes no valor da conta de energia elétrica e descontos no IPI.
Medidas que, segundo Pimentel, precisam considerar o atual processo de transformação do padrão industrial do mundo, com o deslocamento de indústrias em busca de maior produtividade, não apenas geograficamente, mas também em sua forma de estruturação. “Os itens dos aparelhos da Apple, por exemplo, não são produzidos pela empresa. Ela fez só o design e o software. O resto é feito por uma cadeia de fornecedores globalizada e a China monta, em um modelo industrial completamente diferente do fordismo.”
Esse processo ameaçaria os países com bases industriais sólidas, como o Brasil, que precisam investir em inovações tecnológicas em suas cadeias produtivas para reduzirem os impactos dessa mudança. Além de superar os gargalos de infraestrutura e de um sistema tributário “quase incompreensível”. “Estamos fazendo desonerações à indústria e uma reformulação do PIS-Cofins. Outro exemplo é o ICMS, que tem 27 regulações no País. Esperamos aprovar uma unificação no Congresso e estabelecer alíquotas adequadas”, comentou Pimentel.
Para crescer em níveis constantes, concordaram os palestrantes, é preciso investir em infraestrutura. E o momento atual da economia brasileira não poderia ser mais simbólico: os aeroportos estão sobrecarregados, algumas cargas demoram semanas para entrar e saír dos portos e o transporte rodoviário é ineficiente. “Para o investidor isso significa um risco de demanda pequeno. Existe uma demanda grande e reprimida. Há espaço para financiamento de longo prazo”, afirmou Murilo Portugal, presidente da Febraban.
Segundo ele, o financiamento no Brasil tem evoluído. “O crédito bancário vem crescendo mais rápido que o PIB. Esse foi um processo importante no crescimento econômico do País.”
O esforço também é importante para as empresas. A mineradora Vale, por exemplo, enfrenta dificuldades em competir com empresas australianas na venda de minérios para a Ásia, em especial a China e Japão. “A Austrália está a 15 dias de navio da China e Japão, o Brasil a 45. Não querem comprar minério daqui porque, quando chega, os preços estão em condições diferentes. Estamos montando pontos de distribuição nas Filipinas”, disse Murilo Ferreira, presidente da empresa.
Os problemas de infraestrutura brasileiros são conhecidos. Envolvem desde a falta de planejamento de obras à necessidade de investimentos em transporte, como ferrovias. De acordo com Bernardo Figueiredo, presidente da Empresa de Planejamento e Logística (EPL), o Programa de Aceleração ao Crescimento (PAC) melhorou o conceito de pensar o futuro e destravou obras tão antigas quanto a Ferrovia Norte-Sul, iniciada em 1986.
Em 20 anos de obras da ferrovia, haviam sido construídos 200 quilômetros de trilhos. Com o PAC, em cinco anos foram mais 2 mil quilômetros. “Fizemos uma depuração dos projetos a serem executados. Ao todo, temos cerca de 250 bilhões de reais para investir. Precisamos preparar como esse valor será gasto e também saber como usaremos os próximos 250 bilhões.”
No debate, foi destacado o papel do governo para atrair a iniciativa privada a firmar as chamadas parcerias público privadas, que envolvem desde ferrovias a leilões de rodovias. Isso, no entanto, ainda é pouco, segundo Figueiredo. “As ferrovias atuais não atendem à demanda. Muitas delas são antigas e não modernizadas. Temos que construir onde ainda não há uma malha, como no Centro-Oeste.”
As reformas, entretanto, também podem ser menores. “Devemos retomar o conceito de realizar reformas que reduzam custos transação, desde abrir ou fechar uma empresa. São medidas pequenas que acumuladas geram uma mudança ampla”, defende Portugal. E André Esteves, presidente do BTG Pactual, também presente no Fórum, completa: “É preciso trazer ao debate diversas reformas microeconômicas, como a desburocratização e a facilidade de fazer negócios, que vão destravar o sistema e ajudar o País a andar.”
A longo prazo, reforça Esteves, investir na educação é uma demanda fundamental. “Precisamos de escolas de qualidade que formem mais engenheiros e médicos. A educação se traduz em produtividade.”

segunda-feira, 6 de maio de 2013

A riqueza da crise


Formar um engenheiro custa 2 milhões e leva tempo. Na Europa, essa mão de obra qualificada está disponível

trabalho
Formar um engenheiro custa 2 milhões e leva tempo. Na Europa, essa mão de obra qualificada está disponível. Foto: Phillie Casablanca/Flickr
A grande riqueza disponível hoje no mundo, por conta dessa crise fantástica produzida pelo setor financeiro, é a disponibilidade de mão de obra de alta qualidade. O processo civilizatório que acontece no Brasil nos coloca em condições privilegiadas para atrair uma parcela desse capital humano. As medidas tomadas no campo da educação para acelerar a preparação de mão de obra entre nós são de suma importância para atender às novas demandas do mercado e melhorar as condições dos brasileiros na competição pelos postos de trabalho. Persistem dificuldades, contudo, para contratações em diversos níveis da atividade: hoje temos falta de engenheiros em quase todas as especialidades, enquanto é uma enormidade o número de profissionais de muito boa qualidade que está sobrando na Europa. O custo para formar um engenheiro, físico, matemático, geólogo e afins é de cerca de 2 milhões de reais. E espera de 25 anos. Em razão do prolongamento da crise financeira mundial e do horizonte sem fim do desemprego, essa mão de obra de boa qualidade, formada na Europa, está disponível para emigrar, e o Brasil é um destino atraente.
Com um sistema adequado, em 24 horas pode-se trazer um profissional em falta desse nível. Em 48 horas ele estará trabalhando. E não serão apenas engenheiros: químicos, físicos, matemáticos, mecânicos, mestres de obra, seja qual for a especialidade necessária. Há demanda no Brasil para profissionais nos setores da construção civil e existe disponibilidade desses trabalhadores portugueses, franceses, espanhóis, italianos, com tradição em obras nas áreas de infraestrutura, habitacional e de transportes.
É uma mão de obra preparada, que só viria nos ajudar a crescer em produtividade. Não vejo argumentos para se opor a essa imigração, a não ser de parte das “corporações de ofício” que usam os benefícios do monopólio concedido.
Continuamos a ser um país que acolhe bem os imigrantes.  Meus avós e muitos dos avós dos caros leitores de CartaCapitalvieram com certeza de algum lugar da Itália, Portugal, Espanha, Grécia, Polônia ou da antiga Tcheco-Eslováquia. Isso nos dá todas as condições de acolher a grande riqueza disponível hoje no mundo, como sempre acolhemos em outras ocasiões dramáticas que castigaram tantas sociedades do “Velho” Mundo.
Precisamos acelerar o nosso processo educativo para acomodar a relação de oferta e procura de mão de obra. E corrigir alguns desequilíbrios importantes em nosso mercado de trabalho.
Em dias recentes acompanhamos a iniciativa do Banco Central na tentativa de controlar as expectativas de crescimento da inflação. Elevou-se em 0,25 ponto porcentual a Selic, na suposição de uma alta do juro real produzir um “pequeno desemprego” e aliviar as tensões no mercado de trabalho.
Tanto o governo quanto o Banco Central sabem: não é apenas com a Selic que se pode lidar com a inflação. O controle do ritmo dos preços está ligado a fatores muito mais complexos, como a persistência dos aumentos do salário nominal muito acima do aumento da produtividade do trabalho. Por essa razão o governo procura caminhos para tornar mais flexíveis os ajustes entre oferta e demanda no setor trabalho. É uma questão de aritmética, não de economia: quando o salário nominal cresce mais do que a produtividade do trabalho, há pressão inflacionária.
Não precisamos de uma inflação de 6% ou 7% ao ano para voltar a crescer a taxas robustas. Uma taxa alta de inflação só pode prejudicar o crescimento da economia. Se olharmos para as políticas postas em prática no governo Dilma, verificaremos que todas elas, no longo prazo, buscam melhorar a produtividade. Geram às vezes muito ruído, muita discussão no curto prazo, mas em dois ou três anos elas amadurecerão e produzirão bons resultados.
Deve ser esse o objetivo de um programa de imigração capaz de ajudar a flexibilizar os mercados e permitir aumentar a produtividade do trabalho. Foi assim com a desoneração dos impostos na contratação de mão de obra, na redução da taxa de juros, no enfrentamento das tarifas de energia elétrica e na questão dos portos.
Temos de reconhecer que estamos diante de mudanças estruturais profundas. O governo tem a tendência de fazer as coisas com certa dureza, algum excesso de ruído, mas estão todas na direção correta.